"No momento oportuno em que Sua Santidade o XIV Dalai Lama visita Portugal pela segunda vez, no refluxo de um movimento histórico que fez dos portugueses os primeiros ocidentais a chegarem ao Tibete, o presente volume é dedicado ao estudo de alguns aspectos fundamentais da presença do Buda e do budismo no Ocidente e em particular na cultura portuguesa.Os estudos aqui reunidos constituem um conjunto bastante rico que basta para mostrar a significativa presença da espiritualidade e da cultura budista no horizonte e no seio da cultura portuguesa, desde a Idade Média até à contemporaneidade, passando naturalmente pela época dos Descobrimentos e da missionação."
Paulo Borges, in «Introdução»
"Segundo a narrativa, num dia, num passeio pela cidade, o jovem príncipe apreende, pela primeira vez, com clara nitidez, o sofrimento associado à velhice, à doença e à morte. Através desta revelação da ‘dor do mundo’, Gotama, transtornado, apercebendo-se pela primeira vez do carácter ilusório e irreal da sua vida palaciana, decide, com vinte e nove anos, seguir o caminho da ascese como forma de descobrir a raiz de tanto sofrimento.
Após este momento mitológico de ‘separação’, tem lugar o longo caminho de ‘iniciação’. (…) Gotama, o Buda, realiza uma aposta total e integrada nas três capacidades essenciais do ser humano: o conhecimento, a acção e o sentir. Desenvolver o nosso conhecimento do real, agir tendo sempre em conta a fragilidade e o sofrimento de todos os seres sencientes e meditar, isto é, sentir sem apego todos os estados mentais e corporais que nos apareçam, tal era o sentido da vida que transparece nesse pequeno Discurso que mudou, para sempre, o modo humano de estar no mundo."
Carlos João Correia, in «O discurso que mudou o mundo»
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