Dando continuação ao romance Línguas de Fogo, publicado pela Ésquilo, Paulo Borges convoca os portugueses para um «Teatro Vivo e Iniciático» em que todos são protagonistas. Rompe com o intelectualismo da nossa época e propõe-nos a vivência de uma grande teofania que se tornou património da cultura portuguesa e que está subjacente no Culto do Espírito Santo e na ideia do Quinto Império. Efectivamente, esta Folia de Paulo Borges abre um novo ciclo na dramaturgia portuguesa.
"SOFIA: Uni sempre a sabedoria e a compaixão! A visão das coisas tal qual, sem os véus do pensamento, do medo e do desejo, e a amorosa e compassiva sensibilidade que toda a dor assuma e transmute! O feminino e o masculino! O vermelho e o branco! Isso simbolizam as cores com que fostes ungidos! As cores do Santo Espírito, que une e transcende todos os contrários! Morrestes homens e mulheres! Ressuscitastes andróginos, nautas-ninfas, deusas-deuses! Bem vindos à Ilha dos Amores e ao Mistério da Câmara Nupcial! Ao Quinto Império, primeiro e último! Ao Eterno! (…)
D. SEBASTIÃO: A visão deste Império arrebatou os nossos grandes visionários e profetas: Luís de Camões, Padre António Vieira, Fernando Pessoa, Agostinho da Silva. Eles o apontaram como o sentido de Portugal e do mundo lusófono, a mátria da Divina Loucura, alternativa à razão demente que governa e devasta o mundo!" |