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LÍNGUAS DE FOGO
A vida post-mortem de Agostinho da Silva
no período sagrado «Terminado o canto, todos se precipitam, num grande tumulto, para
saudar, abraçar e venerar o velho Mestre e amigo, que partira há precisamente sete
semanas, no Domingo da Ressurreição. (...) Mas Agostinho, do alto
do púlpito, com um gesto firme de ambas as mãos, abertas e erguidas à altura do peito,
detém-nos e, voltando e inclinando lentamente as palmas das mãos para cima, em silêncio
lhes indica, no gesto e na direcção do olhar grave, o tecto da gruta, ao mesmo tempo que
progressivamente se esfuma e dissolve no espaço. Tomados de expectante estupor, todos se
voltam então para o alto onde imediatamente ressurge (...) a mesma
prodigiosa e ofuscante Luz a brilhar no coração da mais espessa Treva. (...)
Toda a ingente assembleia, tomada de intensa comoção (...),
imediatamente se ajoelha, com as mãos postas, os rostos primeiro com profundo respeito
curvados e logo em devota adoração erguidos. Ao que, do âmago da esplendorosa
aparição, no mais fundo silêncio, lentamente emanam e descem áureas e adamantinas
coroas de luz resplandecente, imperiais e fechadas numa pequena esfera e pomba, que vêm
delicadamente pousar sobre a fronte de cada um, coroando-os e sagrando-os Imperatrizes e
Imperadores do Santo Espírito.»
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