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A SAGA
DO REI MENINO
Nunca a vida de D. Sebastião foi contada de forma tão apaixonante. A História e a Lenda cruzam-se neste romance biográfico sem igual.
«El-rei dom Sebastião; el-rei dom Sebastião! Eis como estas palavras chegam à nossa história, fazendo do principezinho um rei de três anos de idade, o rei menino. ( ) Foste talvez o único rei português que chegou ao trono sem saber o que era andar roído pelo desejo diabólico de poder e de glória. ( ) Eras verdadeiro e autêntico em tudo o que dizias e fazias e isso chega para fazer de ti um caso especial entre os monarcas portugueses.» «Hoje, à distância, convenço-me que a derrota de Alcácer Quibir teria ainda sido mais funda se a batalha não se tivesse perdido. ( ) As vitórias são quase sempre uma distracção de superfície, um vento enganador de euforia e arrogância, enquanto as derrotas, exigindo um esforço de concentração e uma consciência da humildade, podem ser o momento da criação. Alcácer Quibir foi para os portugueses uma derrota dessa ordem; ganhava-se mais perdendo e perdia-se mais ganhando. ( )Alcácer Quibir é o momento mais tenebroso da História de um povo, uma derrota ignominiosa, uma página de luto e escuridão, feita de carne, sangue e lágrimas, uma catástrofe gigantesca que é impossível fitar de frente, mas é ao mesmo tempo o seu momento mais luminoso e epifânico, aquele de que se esperou sempre salvação, vida eterna e imortalidade, tudo o que é extraordinário e glorioso.» «Vejo Sebastião no momento da partida para Alcácer Quibir como um jovem músico antes do seu primeiro concerto. Tem no rosto as alegrias da espera e nos olhos o pavor do escuro. Amedronta-o a iniciação.» «Ainda hoje o Encoberto é uma figura da nossa vida; basta que esteja num
poema de Fernando Pessoa para andar por perto. Não admira que quase quinhentos anos
depois de Alcácer Quibir ainda haja gente à tua espera, ó Sebastião. Assim, meu amigo,
não custa morrer aos vinte e quatro anos, nem perder uma batalha, nem ter uma estrela
funesta no destino. Por isso, o meu último vocativo para gente de carne e osso devia ser
para ti, meu extraordinário rei de Portugal.» _________________________________________________________________ António Cândido Franco Nasceu em 1956, Lisboa. Fez um doutormento em Literatura Portuguesa e uma agregação em Cultura Portuguesa. Os seus escritos sobre a História de Portugal tomam como ponto de partida os cruzamentos ou as parecenças entre a História e a Lenda. Reclama para a História, na linha de Fiama Hasse Pais Brandão, o direito à alucinação, pois uma História sem a teatralidade do imaginário não está viva nem é real. É autor das obras A Rainha Morta e o Rei Saudade e Viagem a Pascoaes, ambas publicadas pela Ésquilo. _________________________________________________________________ Outras obras do autor publicadas pela Ésquilo: A Rainha Morta e o Rei Saudade
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