O  C R I M E  N O  F E M I N I N O

(...) A mulher, apesar de continuar com uma percentagem inferior à dos homens nas estatísticas internacionais do crime, é vista pelos criminologistas internacionais sob dois ângulos principais que ditam a sua tendência delinquencial.

1ª. Hipótese psico orgânica, que sugere que a sua constituição psíquica e orgânica é determinante para as poder catapultar para tipos de conduta considerados anormais dentro de determinadas sociedades, mas que contrabalançam a sua agressividade como escape dessas tendências e que é, por exemplo, a prostituição. (Lombroso é um dos que defende esta hipótese).

2ª. Hipótese - A Influência exógena - Inserida na sociedade, que a colocam, a maior parte das vezes, na subalternia, dum pai, marido ou companheiro, afastam-na do acesso às mesmas condições criminógenas que afectam o homem. A evolução e a conquista da sua independência, ocupando cargos e situações que no passado lhe eram vedadas, fez surgir uma outra mulher independente, capaz de exteriorizar a sua agressividade até na escolha dos meios para o cometimento dos crimes.

Se antes a mulher, se servia do veneno como agente próximo da sua vontade de eliminação dos obstáculos, substituiu-o hoje, com alguma frequência, pelas armas de fogo, menos subreptícias, mas mais consentâneas com uma eficiência directa e rápida.
A envenenadora era a mais penalizada pela opinião pública que a considerava nojenta e pérfida, pela capacidade de usar lentamente, um meio de assassinar. No seio da família, quando o visado era o marido adúltero, ela utilizava o veneno com a mesma técnica do pescador que vai dando linha, até trazer o peixe, aos poucos, a seus pés
Se ele era internado num hospital ou clínica, e aí melhorava, visitado inclusivé por ela com desvêlo e carinho na esperança que ele esquecesse a “outra”, a cura era possível!
Mas se, ao regressar, ele “reincidia” na sua paixão “extra-lar”, assinava com isso a sua sentença de morte que podia expressar-se numa dose última, definitiva e fatal.
Deixando o veneno para trás e enquadrando a criminalidade feminina no restante catálogo do crime, nota-se que a área dos delitos contra a propriedade e os costumes, se sobrepõem proporcionalmente à criminalidade contra as pessoas.
No entanto, quando a mulher mata, fá-lo quase sempre com maior ferocidade que o homem.
Já Kipling dizia: “a fêmea de qualquer espécie, é mais violenta que o macho”.
Quando utiliza os seus instintos homicidas é uma criatura temível! E, ao matar deliberadamente, está a inverter a sua função natural que é a da criação de um novo ser humano.
Os seus motivos para cometer o crime são os mais diversos.

– Mata:        
– Por ciúme       
– Por vingança       
– Por lucro       
– Por inveja       
– Por eliminação       
– Pelo prazer de matar

Alguns destes, encontram o mais vivo repúdio na opinião pública, quando a tornam capaz de eliminar crianças à sua guarda, ou os próprios filhos; no primeiro caso para se locupletar com dinheiro, no segundo, para destruir impedimentos à sua ligação a um amante.
A transmissão genética dos ADN, nocivos, tem sido responsabilizada pelo aumento de agressividade e recentemente os geneticistas britânicos Adam Eyre-Walker da Universidade de Sussex e Peter Keightley da Universidade de Edimburgo, calcularam que cerca de 4,2 novas mutações, ocorreram em cada geração humana, nestes últimos seis milhões de anos.
O que é muito, se atendermos tanto na 1º hipótese psico-orgânica, defendida por Lombroso, como na segunda, de base exógena em que todo o meio ambiente na inserção da mulher na sociedade moderna, a pode tornar mais tendenciosamente capaz de comportamentos homicidas.
Ainda que as estatísticas oficiais continuem a indicar maior número de homens condenados do que mulheres, pois em 1970, Wright e Cox, concluíram num estudo realizado em escolas secundárias inglesas entre jovens cuja a idade oscilava entre 16 a 18 anos, que as atitudes morais entre os sexos não eram assim tão diferenciadas. Por exemplo, em relação ao furto, não havia diferenças notórias, e os restantes temas questionados foram: o jogo, o furto, a mentira e as relações sexuais antes do casamento.
As variáveis de personalidade do comportamento do criminoso relacionam-se tanto na “aflição proveniente do auto conceito ferido do malfeitor, como do seu temor da desforra”.
Se considerassemos apenas aqui o aumento da criminalidade feminina em Portugal, teríamos inevitavelmente de o atribuir ao consumo da droga, do álcool, à mistura das etnias escolares, à degradação da vida em bairros clandestinos, à continuação dos maus tratos sofridos pelas mulheres, ao estímulo de consumo de artigos e objectos, sem possibilidades económicas de aquisição dos mesmos, a alguma benevolência das penas atribuídas aos pequenos delitos, às modas delinquenciais divulgadas pelos meios de comunicação, à liberdade das condutas dos jovens e a um longo enunciado de causas indisponíveis de serem referenciadas na totalidade.

A. Varatojo
Excerto do Prólogo do "Crime com Elas"

 

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